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sábado, 25 de novembro de 2006

Bellevue

Do tempo em que os GNR eram uma senhora banda. Eis a melancólica Bellevue:

Bellevue

Fundido na brumano nevoeiro sem fim
Uma ideia brilhante cintila no escuro
Um odor a tensão do medo puro

Salto o muro cuidado com o cão
Vejo onde ponho o pé iço-me a mão

Encosto ao vidro um anel de brilhantes
É de fancaria a fingir diamantes

Salto à janela com muita atenção
Ponho-me à escuta bate-me o coração

Sabem que me escondo na Bellevue
Ninguém comparece ao meu rendez-vous

Porta atrás porta pelo corredor
O foco de luz no último estertor
No espelho um esgar, um sorriso cruel
Atrás da última porta uma cama de dossel

Salto para a cama experimento o colchão
Onde era sangue é só solidão

Os meus amigos enterrados no jardim
E agora ninguém confia em mim

Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego