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domingo, 13 de março de 2005

O 1º absurdo do Governo

O Governo tomou posse, entrou em funções. Faz lembrar uma turma de repetentes ou um depósito de reciclagem, tantos são os ministros que já haviam praticado a arte de governar durante o gueterrismo. Do discurso do 1º ministro retive as suas considerações sobre a política externa. Sócrates prometeu valorizar a nossa condição membro da NATO e prometeu frutuoso entendimento com os EUA. Parece-me sensato: ser aliado do país mais poderoso do planeta é consolador para um país que não conseguiria defender-se sozinho e que precisa de apoios externos. O aborrecido neste assunto é que Sócrates escolheu para chefiar a nossa diplomacia uma pessoa que recentemente escreveu e disse barbaridades sobre os EUA. O senhor Freitas do Amaral, que muda muito de opiniões políticas mas que ainda não foi adepto do nazismo, detesta Bush e comparou a intervenção americana no Iraque com o expansionismo belicista e racista de Hitler. Claro que o professor Freitas tem o direito de ter e de expressar esta opinião, facilitadas que foram pela certeza dos americanos o não incomodarem com um processo por difamação. Por isso, registamos a absurdidade - será talvez filosófica homenagem de Sócrates a Camus - que é confiar o aprofundamento das boas relações com os EUA a um contundente crítico dos EUA.
Claro que esta incongruência não inviabiliza o sucesso da missão do ministro dos Negócios Estrangeiros. Proporciona umas piadas aos americanos, macula a credibilidade do Ministério, mas sabemos que o professor Freitas não se atreverá a voltar a soltar impropérios anti-americanos, sabemos que não vai expulsar à pedrada os americanos da base das Lages, sabemos que não esganará o presidente Bush se com ele se encontrar. O professor Freitas diz dislates mas conhece as regras da etiqueta diplomática. E como sabe adaptar as suas opiniões às conveniências do cargo e aos imperativos dos superiores interesses nacionais que ele declara observar, temos a certeza de que não lhe faltarão amistosas e compreensivas palavras para com a política americana.

1 Comments:

Blogger Ana de Castro said...

Finalmente..:)
Já tinha saudades deste teu tom mais cáustico.
Neste caso, Sócrates foi inteligente ao escolher Freitas. Minimiza o descontentamento geral,relativamente à guerra,colocando no MNE um anti-americano.
Perfeito, mais valia assumir a retirada. Mas enfim, já não há políticos com..:))


Besos

7:37 da tarde  

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