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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Não lhe dou cavaco

Cavaco anunciou que quer continuar Presidente. São mais cinco anos cheios de compromissos, de viagens pelo "país real", inaugurando, discursando, sorrindo, para excitação da província; uma agenda cheia que na velhice é coisa preciosa para dela se distrair um pouco. Ganhará sem o meu voto. Além de inútil, seria imerecido: Cavaco confiou no Governo, proporcionou-lhe todas as "condições de estabilidade"e o Governo fez-se surdo aos seus apelos e avisos. Foi enganado e aguentou Sócrates. Não percebeu a evidência de que o interesse nacional exigia prioritariamente a remoção de Sócrates. É também, por isso, responsável pelo descalabro. No dia das eleições, vou passear com a Sandra.

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quinta-feira, 11 de março de 2010

Frouxo Cavaco

Como na televisão da minha mãe o merecido fisco do milionário Real Madrid me entretinha, não me ocorreu espreitar as estações que por cá existem. Perdi, por isso, a entrevista do Presidente da República à televisão do Estado, feita por uma jornalista, irritante, que tem um vencimento superior ao do Presidente.
Hoje, os jornais noticiam a entrevista e o Público destaca que "Cavaco não acredita no desconhecimento do Governo sobre o negócio PT/TVI". Como o Governo tem afirmado, aos jornalistas, ao Parlamento, que o desconhecia, Cavaco lá se permitiu sugerir que não acredita na sinceridade do Governo ou, o que é o mesmo, que acredita que o Governo tem mentido. Mas, triste e elucidativamente, para Cavaco, não confiar na palavra de Sócrates é coisa insignificante, que não afecta "as suas relações de trabalho normais" e a "cooperação estratégica" com o Governo, que não deve beliscar a estabilidade politica. Para mim, é sobretudo uma lição de irresponsabilidade e de cínica "ética republicana", a do Presidente que não quer assumir a responsabilidade de correr com Sócrates de S. Bento.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ficou-se

Ouvi e li, há poucos dias, Pires de Lima e Marcelo Rebelo de Sousa, chamarem, respectivamente, "ladrão de feira" e "mentiroso" a José Sócrates. Normalmente, tais apreciações seriam consideradas ofensas, difamações, passíveis de punição e reparação judiciais. Mas, eis a surpresa, o vaidoso visado não reagiu. O Primeiro-Ministro, talvez por achar desfasado o Código Penal, talvez por generoso entendimento da liberdade de expressão, talvez por cristã disposição para perdoar a quem o ofende, talvez por não confiar na eficiência do sistema judicial, ficou-se. Ou talvez, segreda-me judiciosamente o meu cão, o "chefe" receasse que os processos que não quis desencadear fariam prova das imputações.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eleições I

Como me dei ao trabalho de fazer na cruz no quadradinho do Paulo Portas, como acompanho estes actos desde o distante ano de 1985, como ainda tenho a esperança de um dia ganhar a vida escrevendo banalidades e como neste outrora dinâmico blogue mando eu, permito-me "esmiuçar" as eleições de domingo. Justificado, aventuro-me no exercício.
O PS perdeu mais de 500 mil votos, mais de 20 deputados, ficando pelos 36%, obrigado a arquivar a sua prepotência e a convocar o espiríto de negociação que detesta. Viciado em impor, terá que ceder, arreliar-se, ser polido, engolir propostas alheias. Com a satisfação do trabalhador que escapou ao despedimento, do marido a quem foi perdoada a infidelidade, Sócrates disse aos microfones ser uma "vitória extraordinária". E foi. Sobreviveu às promessas falhadas. Sobreviveu ao aumento do desemprego, do endividamento externo e das despesas do Estado. Sobreviveu à continuação da paródia do ensino e da justiça. Sobreviveu às investigações do jornal Público, que em vez de o levarem à demissão, apenas provaram imoralidade ou o desinteresse dos Portugueses, e a ficção que é achar-se a comunicação social o 4.º poder, quando é sobretudo agência de publicidade da classe política, entretenimento que nos alimenta a morbidez e a pena, nos ajuda a sonhar com viagens, nos estimula a consumir produtos culturais, vendendo-nos a ilusão de que estamos informados, temos opiniões, nos prestam contas e somos civilizados.
Optimista por artíficio, desenvolto a vitimizar-se, descarado a vangloriar-se, eficiente na distribuição de favores e na intimidação, patrão de um partido-polvo disciplinado, vocacionado para exercer o poder em seu próprio proveito, fodendo-nos sem escrúpulos se necessário, Sócrates sobreviveu por tempo ainda indefinido.
E com tantas linhas sérias dedicadas ao engenheiro, quase perdi a vontade de discorrer sobre o melhor político português desde Sá Carneiro: Paulo Portas. Mais logo, pego nele, salvo seja.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A queda do menino de ouro

Puxa, o Público, teimoso, não dá descanso ao nosso primeiro-ministro. Depois de nos dar a conhecer a impecável história da sua licenciatura e de divulgar os bonitos projectos de habitação do engenheiro em começo de carreira que sensatamente abandonou, o jornal volta ao passado do «menino de ouro do PS» e devassa agora as minúcias adminstrativas do processo de aprovação do empreendimento comercial Freeport, lançando suspeitas sobre a honestidade de Sócrates, ao entrever a forte possibilidade de ter havido pagamentos a Sócrates e seus colaboradores. Gabo o trabalho de investigação do Público. Mas quem não é funcionário do PS, ou filho de deputado do PS, ou sobrinho de vereador do PS, ou amante de secretário de Estado do PS, ou esposa de ministro do PS, ou avençado de ouro de um ocioso gabinete ministerial, há muito que não tem ilusões sobre o valor ético de Sócrates e sobre a urgência de nos livrarmos da criatura. Afastá-lo do cargo que nunca deveria ter ocupado, é devolver alguma decência à vida pública.

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